' '' ' Revista Rondoniense de Pedagogia: Artigos de Valdineia Barreto.

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08/04/2015

Os maiores desafios da sala de aula hoje!



Escrito por Valdineia Barreto - 

O desinteresse do aluno decorrente da tecnologia a que tem acesso fora da escola; os meios de comunicação, a sua influência negativa; a família, não cumprindo seu papel; a escola, que não apóia o professor; a sociedade, sua (des) organização; a indisciplina, a violência, e, depois de certo tempo, chega-se a colocarem questão a própria relação pedagógica. A sensação de não-poder talvez seja hoje um dos maiores desafios enfrentados. 

É impressionante como o professor acabou assimilando a ideia de que não tem forças, de que não pode, de que a solução dos problemas está fora dele. Muitas vezes, sente-se desgastado, destruído, traído, usado, acusado, desprezado, humilhado, explorado. Os desafios dependem da situação em que cada escola se encontra, o que ela oferece, o que ela diz com respeito a sala de aula. 

Uma das coisas que considero mais preocupantes e ao mesmo tempo desafiadoras é conseguir lidar com a indisciplina dos alunos na sala de aula, afinal como é possível notar durante campo de estágio e nos meios de comunicação eles estão cada vez mais indisciplinados mostrando ao professor que é necessário muito preparo para impor limites nos alunos, nesse âmbito vejo que o preparo fornecido pelas instituições de ensino (faculdades) são repletas de conceitos complexos e poucos detalhes reais, talvez seja uma crítica comum, mas na realidade em que se encontra a educação no Brasil e trazendo ao nível regional e por fim ao município de Porto Velho, acredito que esses pressupostos teóricos de autores franceses, americanos e outras nacionalidades não estão de acordo com a realidade da educação aqui, o modelo é outro, assim como o currículo, as leias de diretrizes e bases.

Eu particularmente acredito que o primeiro desafio que vou encontrar na sala de aula é o da indisciplina na sala de aula no sentido de falta de preparo para isso, falta de apoio da família, da escola e até mesmo por falta de amparo em lei, porque atualmente o professor não pode fazer muito porque encontra-se de mãos atadas onde o aluno possui a ideia de que pode fazer tudo e o professor não pode fazer nada.

Então ainda sobre este aspecto tenho certeza que minha maior dificuldade será como lidar com a indisciplina na sala de aula já que os pais ou responsáveis dos alunos atribuem a escola o dever de educar, quando na verdade o nosso dever é ensinar, e existe um abismo de diferença entre os dois termos educar e ensinar, afinal o aluno passa 4 horas com o professor e 20 com a família, então a quem deve ser o dever de combater a indisciplina em sua forma mais abrangente? Porque o aluno indisciplinado em casa traz toda sua indisciplina para a escola e o resultado disso é um desgaste imenso do professor que gera muitos outros problemas.

Em segundo lugar acredito que o que pesará muito na sala de aula são as dificuldades de aprendizagem, os alunos são diferentes e sua capacidade de aprendizagem também. Uns assimilam mais rápido e outros mais lentamente, e muitas vezes as metodologia de ensino são eficazes para uns e para outro não, e tudo isso unido a uma sala super lotada sem auxilio de outro professor ou cuidador e apoio pedagógico transforma o ato de ensinar em uma tarefa árdua, afinal nem sempre o que o professor fala o aluno houve, e nem sempre o que é ensinado é aprendido.

Muitas vezes ocorre de um aluno necessitar de um conhecimento básico para ter acesso aos outros tipos de conhecimento, e ele não trás o conhecimento passado para obtenção do futuro, tudo é continuo, o ensino, a aprendizagem e a avaliação e algumas vezes é necessário que o professor regrida no conteúdo para poder ter um progresso total, é onde entra a questão do currículo, a ementa, o plano, os prazos que devem ser seguidos para ensinar aquele assunto e isso resulta em mais pressão em cima do professor, esse é o segundo maior desafio que certamente irei enfrentar nos próximos anos.

Em terceiro lugar, a falta de preparo para fazer com que a inclusão seja uma realidade na sala de aula, a educação de alunos com necessidades educacionais especiais é outra dificuldade que encontrarei na sala de aula e que terá que ser superada, isso inclui a falta de preparo, as condições de adaptação da instituição, da flexibilização das atividades, das dinâmicas, avaliação e sem falar na falta de recursos.

Em quarto lugar e muito significativa é a falta de motivação que ocorre em conjunto, começando pela desmotivação e falta de interesse na educação dos filhos, depois pelo desinteresse do próprio aluno e por fim a desmotivação do professor que ocorre pela desmotivação de todas as partes envolvidas, o que inclui a escola, a sociedade e o baixo salário que mostra-se como um grande fator de desmotivação e desestabilizador do desejo de ensinar.

Em quinto lugar como lidar com alunos com problemas psicológicos e comportamentais na sala de aula sejam diagnosticados ou não, é outra dificuldade que irá pesar muito, pois além da rejeição do aluno e da família que muitas vezes nem quer assumir o problema psicológico ou comportamental do aluno faz com que essa tarefa seja maçante e muito cansativa, o que me faz refletir como umas das dificuldades que considero mais difíceis de enfrentar.

06/04/2015

Questões de gênero e diversidade no desenho da Disney “Cinderela”


Artigo por Valdineia Barreto

O filme da Disney “Cinderella” traz importantes reflexões com respeito à temática “Gênero e diversidade”. No caso desse filme, embora seja visto como uma história comum traz na protagonista, chamada pelas irmãs malvadas de “Gata borralheira” uma espécie de arquétipo fundamental feminino que mostra qual o “tipo de mulher” ou neste caso, como em muitos contos da Disney, uma jovem em busca de uma vida melhor, de ter seus sonhos realizados.


Antes mesmo de aparecer no filme, ainda na narração da história, a personagem é apontada como sendo “Gentil e bondosa”, isso sem falar na fisionomia, Cinderella é loira, magra, possui olhos azuis e traços delicados, nariz fino e bem pequeno, tem uma voz linda e é afinada. Os ratinhos do filme apresentam-na como “amiga e boazinha” reforçando um padrão comportamental, o padrão de delicadeza.
As vilãs do filme, a madrasta e irmãs de criação malvadas, usam roupas em tons escuros, possuem uma voz irritante, são desafinadas, possuem cabelos escuros, olhos enormes e redondos, traços pouco delicados, nariz grande e circular, como se tivesse inchado.

Cinderella cumpre sua função dia-a-dia independente que seja considerado uma possível indisposição, seu estado psicológico, ela deve incansavelmente: lavar, passar, cozinhar, dar alimento aos animais, enfim, não há nada, além disso.

 Os ratinhos zangados por ela fazer tanto trabalho, iniciam um musical evidenciando sua posição e possível situação que poderia justificar que ela trabalhasse tanto:

“Cinderella, Cinderella noite e dia, faz a sopa, lava louça, passa roupa, pobre moça não para um só momento, até parece um casamento”

Cinderella até poderia trabalhar tanto, contudo, desde que fosse para um marido, sua função no casamento.
O rei deseja que seu filho de case, pois deseja ver seus netos crescerem, ele diz em certa fala o seguinte:

“Ele tem que casar e ficar sossegado”.

O homem deve se casar, a mulher também, todos devem ter filhos que surjam dessa união. Um homem não pode escolher ficar sozinho? No caso se tratava de um príncipe, mas se não fosse, não poderia escapar a regra e ser uma exceção?

Quando o rei decide fazer um baile para que seu filho conheça alguma moça, já que está fora do tempo, ele pede ao Duque a mulher ideal:

“Convidem todas as jovens solteiras para o baile, ela deve ter acima de tudo, bons modos”.

Que bons modos seriam esses? Para casar com seu filho, devia ser jovem, ter bons modos, mais a frente, ele desvela com facilidade, qual seria a jovem ideal quando vê que o jovem príncipe não acha nenhuma que lhe agrade, ele implora para que exista essa jovem, que segundo seu desejo deva ter um atributo:

“Deve haver pelo menos uma que possa ser boa mãe”.

A mulher tem obrigação de ser mãe, mais que isso, boa mãe. Quando o príncipe encontra a Cinderella, o rei, mesmo sem conhecê-la ou saber se eles iam mesmo ficar juntos, presume com grande euforia:

“Sou praticamente avô”.

Dessa forma, entende-se que logo após o casamento, a segunda função da mulher é ser mãe, logo devem vir filhos. Não se pode namorar, é necessário casar, e logo após casar, devem vir os filhos. Esse é o padrão.

O sonho da Cinderella é mudar de vida e segundo o filme, se alguém está infeliz, deve encontrar um príncipe e se casar, o sonho dela é ter liberdade, o casamento, e/ou um grande amor, é a solução para tudo, é tudo que pode sonhar, ter um marido é o futuro de Cinderella.

O desejo feminino, natural é ser reconhecida por um homem, somente desta forma, poderá ser especial, logo o homem atua como se possuísse uma existência superior, tanto que existe outra espécie apenas para ele.

O filme é uma obra de apelo popular, Cinderella é pobre, é explorada, é infeliz, o ideal de felicidade está em encontrar um homem, ter filhos, cuidar dele, da casa e dos filhos. A felicidade de uma mulher tem que ser sempre em função do homem?

Se uma pessoa é jovem deve ser casar, o casamento a obrigada a ter filhos, netos, e assim por diante. Esse é o padrão. A estrutura familiar é apenas dessa forma, não existe outro caminho além de casar, não há nada lá fora para Cinderella.


Educação ambiental na escola: Uma breve análise histórico-social.


Este artigo traz reflexões importantes a respeito da temática “Educação ambiental”, analisando ações da Secretaria de Estado de Educação (SEE) junto com as escolas da rede de ensino e das experiências com as práticas de Educação Ambiental no Acre.

Na intenção de complementar e fundamentar as ações de Educação ambiental nas práticas de sala de aula e das unidades escolares a SEE resolveu elaborar este documento para disponibilizar aos professores que atuam no segmento de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental.

Trata-se de um material de cunho pedagógico para consultas e sugestões metodológicas, contudo este trabalho traz apenas considerações referentes ao 1º capítulo do documento. A análise feita pelos acadêmicos de Pedagogia é o que objetiva este trabalho, buscamos estudar essas ações e esse material avaliando seu conteúdo e sua aplicação na Educação ambiental na Escola durante exercício da profissão como futuro pedagogos.

Este artigo traz de forma sucinta um breve estudo sobre os fatos que envolveram a educação ambiental, bem como considerações importantes sobre a Amazônia, e ainda cita os 7 saberes para a educação do futuro segundo Morin, entre outras considerações importantes.

2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO CONTEXTO MUNDIAL

O primeiro pensamento de alguém que tem algo muito importante é o de perder o que é tão precioso para si, contudo, quando não há a consciência de algo tão relevante, ocorre o descaso, ou mesmo sabendo, opta por manter-se omisso.  Assim sendo, um dos motivos que movem a educação ambiental e que devem priorizar o trabalho do Pedagogo é a apresentação da importância do meio ambiente para o aluno e consecutivamente, sua preservação, como a água, por exemplo, que ninguém consegue viver sem, ou a energia tão necessária,porém sua relevância por si só, não é capaz de instigar sua economia.

A temeridade de escassez dos recursos hídricos e de energia ronda as preocupações de todas as sociedades organizadas, por isso, muito se tem falado,e discutido os problemas gerados pelas queimadas, enchentes, destino inadequado dos resíduos sólidos, desperdício de água e energia, poluição e tantas outras consequências trazidas ao meio ambiente. (ACRE, 2007, p. 08).

É necessário analisar como os processos relativos ao meio ambiente ocorreram no decorrer do tempo, sabe-se, portanto que se “construiu ao longo da história, acelerando-se durante o século XX com as grandes mudanças no pensamento científico e com a inserção das grandes invenções industriais e tecnológicas”.(ACRE, 2007, p. 08).Inicialmente surgiram algumas instituições sociais que buscavam saber o que ocasionava alterações no clima, desastres naturais, além de respostas, buscava-se também possíveis soluções para amenizar determinados ¹fenômenos da natureza que afetam a humanidade.

A ciência, a filosofia, as religiões, as políticas públicas e as organizações sociais buscam explicações para as mudanças climáticas, as tragédias causadas pelos fenômenos da natureza (furacões, enchentes, tremores de terra, tsunami, etc.) dos últimos tempos. Buscam, também, as soluções possíveis que respondam a complexidade e as situações novas com as quais o mundo se depara.(ACRE, 2007, p. 08).

As organizações investigam os complicados motivos que afetam o mundo, porém cabe destacar, que a poluição e uso desenfreado dos recursos naturais (principalmente os não renováveis) contribuem para desastres naturais, como os alagamentos, desabamentos, terremotos ou tremores de terra.

¹ Furacões, enchentes, tremores de terra, tsunami, etc.

2.1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: POR QUÊ?

Considerando as preocupações com o meio ambiente, sua importância e problemas gerados pelo mau uso dos recursos naturais e não preservação faz surgir a necessidade de instrução da sociedade para sensibilização sobre essas causas.

Neste contexto, a educação ambiental assume papel relevante na difusão dos novos conhecimentos, mas, especialmente na construção de valores e atitudes quanto ao respeito ao meio ambiente, a utilização sustentável dos recursos naturais e possibilitando a aquisição de uma nova consciência sobre as relações do ser humano com o seu meio ambiente favorecendo a inclusão social já que os agentes podem se munir dos princípios, metodologias e conceitos disponibilizados pela  ¹EA para o embasamento e suporte de práticas pedagógicas que problematiza, constrói e insere os alunos como sujeitos nas relações socioambientais. (ACRE, 2007, p. 08).

No livro “Os Sete Saberes Necessários a Educação do Futuro” Edgar Morin destaca a relevância da educação mediante as grandes transformações mundiais apresentados na ilustração a seguir:

Ilustração 1. Os sete saberes necessários a educação do futuro de Edgar Morin

Fica claro que Morin aponta a necessidade de mudanças nas atitude das pessoas, na reivenção não apenas da educação, mas também para que o saber promova as demais relações.

² EA – Educação ambiental.
                                       
A solidariedade humana é uma realidade. Existem muitas pessoas tomadas por gestos de solidariedade, porém conflitos são inevitáveis quando se estabelecem relações entre seres humanos.

Ainda que solidários, os humanos permanecem inimigos uns dos outros, e o desencadeamento de ódios de raça, religião, ideologia conduz sempre a guerra, massacres, torturas, ódio e desprezo.Os processos são destruidores de um mundo antigo, aqui multimilenar, ali, multissecular. A humanidade não consegue gerar a Humanidade. (ACRE, 2007, p. 09).

          Se as relações entre seres humanos são sempre tomadas por inimizades que desencadeiam uma série de ódio e intolerância ao outro, fica claro que estas relações são permeadas de incertezas.

[...] o próprio autor demonstra que a incerteza não é sinônimo de omissão ou inércia. Em suas palavras: “O pensamento deve, então, armar-se e aguerrir-se para enfrentar a incerteza. Tudo que comporta oportunidade comporta risco, e o pensamento deve reconhecer as oportunidades de risco como os riscos das oportunidades”.(ACRE, 2007, p. 09).

          Ao se falar em relações, faz-se necessário lembrar o primeiro ambiente de convívio mais amplo: a escola, espaço onde se estabelecem relações, formação de valores, cidadania e, portanto, de muitas perguntas. “A instituição escolar não está imune a tudo isto. Estão presentes nas rotinas escolares, de forma explícita ou implícita, uma gama de perguntas”. Tais como:

Ilustração 2. Perguntas que refletem o universo de incertezas nas rotinas escolares
Autor: Elaboradores do trabalho, 2014.1.

O pedagogo necessita pensar a escola como “[...] espaço privilegiado que possibilita a realização de práticas educativas que envolvam professores, alunos e todos que participam direta ou indiretamente da vida escolar”.(ACRE, 2007, p. 09). Essa participação nas atividades educativas tem uma série de ações que geram para o aluno aptidões para sua construção pessoal e social como:

Ilustração 3. Competências geradas pela EA.
Autor: Elaboradores do trabalho, 2014.1.

2.2 AS BASES DA EDUCAÇÃO

Conforme esclarece a Secretaria de Educação do Acre (2007, p. 10), “as preocupações voltadas para a temática ambiental não surgiram de um dia para outro”. O quadro a seguir mostra vários fatos e movimentos, que foramdelineando no âmbito internacional que hoje conhecemos como Educação Ambiental.

Ilustração 4. Quadro com Fatos e movimentos da EA.
HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Ano
Fatos e movimentos

1972
Realização pela ONU da I Conferência sobre Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, na Suécia. A conferência é considerada um marco político internacional para o desenvolvimento de ações de gerenciamento do meio ambiente e define a educação ambiental como um instrumento poderoso para combater a crise ambiental do mundo.



1977
Realização em Tbilise,na Geórgia (Leste Europeu) da I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. A conferência organizada pela UNESCO em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PENUMA, constituiu-se em um ponto de partida para orientar as ações de educação ambiental no âmbito internacional definindo objetivos, estratégias e princípios.



1988
É promulgada a Constituição Federal Brasileira, na qual em seu artigo 225, no capítulo V - Do Meio Ambiente, inciso VI, destaca a necessidade de “promover a Educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.






1992
Conhecida como a Rio 92, aconteceu na cidade do Rio de Janeiro a II Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano. Dessa Conferência resultou a Agenda 21, que reúne um conjunto de princípios e intenções e propõe o desenvolvimento da educação ambiental no ensino formal e não formal. Paralelo a II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio/92), foi realizado pelas ONGs o Fórum Global, que resultou no Tratado de EducaçãoAmbiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. Neste Documento, a educação ambiental é considerada como um processo de permanente construção para a busca das sociedades sustentáveis e equitativas.








1994
Em função das demandas da Constituição Federal de 88 e dos compromissos assumidos a partir da Agenda 21, foi criado o Programa Nacional de Educação Ambiental - PRONEA, que estabeleceu diretrizes e ações voltadas respectivamente ao sistema de ensino e à gestão ambiental, sob a responsabilidade dos Ministérios do Meio Ambiente e de Educação. A Lei 1117/94, que dispõe sobre a política ambiental do Estado do Acre, situa a educação ambiental “enquanto mecanismo a ser utilizado na instrumentalização da política estadual de meio ambiente, o conjunto de iniciativas da sociedade que eleve o grau de informação, capacidade de organização, mobilização e exercício de todas as prerrogativas de cidadania da comunidade, para conquista crescente de melhores níveis de qualidade de vida”.



1996
A Lei de diretrizes e Bases da Educação-Lei 9394, também contempla embora timidamente a abordagem da educação ambiental, quando estabelece que “o ensino fundamental (...) terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamentam as sociedades”. Art.32, inciso II.

1997

O MEC elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1ª a 8ª série do Ensino Fundamental e estabeleceu a dimensão ambiental como tema transversal.



1999
É instituída a Lei 9.795/99 que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental nas diferentes esferas de governos. Esta lei define como um dos princípios básicos de educação ambiental, a compreensão do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade.




2004
O MEC institui o Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, que tem como objetivo geral consolidar a institucionalização da educação ambiental nos sistemas de ensino, por meio de um processo permanente que promova um círculo virtuoso de busca de conhecimento, pesquisa e geração de saber e a ação transformadora nas comunidades locais. Uma das ações do programa refere-se a formação das COM-VIDAS (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas).
Fonte: Adaptado. Autor: Secretaria de Educação do ACRE (2007, p. 10).

2.3 NASCE UM CONCEITO: FLORESTANIA.

Para analisar o conceito de florestania, faz necessário verificar também o processo histórico que ocorreu no decorrer dos séculos XIX e XX e a inserção da floresta Amazônica nos processos de expansão.

Ao longo dos séculos XIX e XX a Amazônia foi inserida nos processos de expansão da comunidade internacional e nacional. A industrialização, especialmente a de pneumáticos, promoveu frentes de migração, exploração e comercialização que atendiam necessidades da reorganização econômica internacional naquele período. (ACRE, 2007, p. 11).

Muitas pessoas vindas de diferentes partes do Brasil se estabeleceram na Amazônia gerando alguns conflitos, conforme esclarece a Secretaria de Educação do Acre (2010, p. 11), a inserção das frentes de migração, basicamente de nordestinos, na Amazônia gerou conflitos com as populações indígenas que aqui viviam com modos de vida, costumes, culturas e religiões diferentes daqueles que chegavam. Certamenteas peculiaridades de cada pessoa acabam se impondo diante de outra.

Acontecendo as chamadas “Correrias”. Na década de 1970 o processo de expansão se intensifica com a política de “Integração Nacional” voltada para a Amazônia. Foi á época dos grandes projetos agropecuários, abertura de grandes rodovias, novas frentes migratórias advindas do sul do país, os conhecidos “paulistas”. Época, também, dos financiamentos nacionais e internacionais para a instalação de projetos de produção e infraestrutura para a Amazônia.Este processo foi marcado por conflitos entre posseiros e grileiros, entre fazendeiros e seringueiros, entre latifundiário e mini fundiários. Os processos de resistência, finais da década de 70 e a década de 80, fortificaram-se com a criação dos sindicatos rurais e a realização dos “empates” (como forma de proteção da floresta) de onde surgiram líderes como Wilson Pinheiro e Chico Mendes. (ACRE, 2007, p. 11).

Cabe destacar ainda, o movimento de resistência que aconteceu na época, como o dos “[...] seringueiros, índios, ribeirinhose trabalhadores rurais” movimentos estes que atraíram “[...] a atenção da sociedade amazônica, brasileira e mundial para a defesa e proteção da floresta”.(ACRE, 2007, p. 11).

2.2.1 A importância da Amazônia.

Certamente os problemas ambientaissensibilizaram para a preservação das florestas, considerando sua relevância, difundindo a consciência de que esta:

[...]garante a vida daqueles que fazem uso com sabedoria dos recursos florestais e é indispensável para o equilíbrio climático do planeta. Estas preocupações, atualmente são constantes na sociedade amazônica e mundial.(ACRE, 2007, p. 13).

          Assim sendo, surgem junto a essa consciência, maiores preocupações com a preservação das florestas, em especial a Amazônica, justificada por muitos motivos, pois representa mais que apenas sustentabilidade, representa “[...] a garantia da vida de homens, mulheres e crianças que nela habitam,que produzem e criam culturas diversificadas nesta região”. (ACRE, 2007, p. 12).
          A preservação da Floresta Amazônica é importante por diversos motivos, para justificar tais preocupações, apresentamos no quadro a seguir, uma síntese dos dados apresentados pela Secretaria de Educação do Acre (2007, p. 12):

Ilustração 5. Justificativas para preservação da Amazônia.
MOTIVOS PARA PRESERVAÇÃO DA FLORESTA AMAZÕNICA
Recursos
Justificativas
Espaço territorial.
Amazônia corresponde a 1/20 da terra, 2/3 das florestas tropicais do planeta.

Rios e afluentes.
O Rio Amazonas com seus afluentes são responsáveis pela maior concentração de água doce do mundo.
Espécies vegetais e animais.
Pela quantidade de espécies vegetais e animais existentes é a maior reserva genética que se conhece.

Água e a vegetação
A água e a vegetação influenciam o clima global e absorve o gás carbônico.Gás que integra os elementos de aquecimento do planeta e o efeito estufa.
Energia, petróleo, gás natural e biocombustíveis.
A Amazônia tem, também, um grande potencial para geração de energia pela quantidade de petróleo, gás natural e biocombustíveis.
Minerais.
Possui grande quantidade e diversidade de minerais.
Autor: Elaboradores do trabalho, 2014.1.

Ao apontar motivos que justificam as preocupações com a floresta amazônica, não se pode deixar de citar alguns problemas gerados por um potencial tão grande, a partir disto, dispomos de alguns conflitos gerados por interesses ou mesmo descaso com apopulação conforme informações obtidas pela Secretaria de Educação do Acre (2007, p. 12):

Ilustração 6. Elementos geradores de conflitos para a população da Amazônia
ELEMENTOS GERADORES DE CONFLITOS
Exclusão das políticas públicas.
Sofrem com os problemas ambientais causados, sobretudo pela classe mais rica que concentra grandes latifúndios e exploram de forma desenfreada os recursos naturais.
A região encontra-se no centro de discussões e alvo de interesses internacionais.
Autor: Elaboradores do trabalho, 2014.1.
    

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Enquanto pedagogos, percebemos que diante da situação em que se encontra a Educação Ambiental não só nas escolas acreanas, mas também de Porto Velho, no Brasil e no mundo, devemos promover o conhecimento, o desenvolvimento de atitudes, habilidades e competências necessárias à formação humana.

A Educação Infantil é uma modalidade importante como percursora da Educação ambiental, afinal, quanto mais cedo acontecer o processo de sensibilização para preservação do meio ambiente,maior será o envolvimento nas causas ambientais que é um interesse de todos.

REFERÊNCIAS

ACRE, Secretaria de Educação. Educação ambiental na escola. Rio Branco,Ac: SEE/ACRE, 2007.



Os discursos da sociedade e o papel do professor diante do aluno apontado como diferente, estranho e/ou esquisito.


Por Valdineia Barreto¹

Os discursos das pessoas acabam se tornando um saber, uma informação ou mesmo um padrão, ou seja, o que as pessoas dizem muitas vezes se torna um conhecimento que é muito difícil de ser mudado. Algo muito comum são discursos a partir de hierarquias, ou seja, sempre alguém é beneficiado, um exemplo é quando as pessoas afirmam que a mulher é o sexo frágil ou que diante de algumas situações de pressão ou adrenalina agem diferente dos homens. Será mesmo?
É normal que as pessoas assumam alguns discursos mesmo sendo falsos, improváveis ou que não faça sentido algum e o reproduzam de pessoa para pessoa, isso acontece com os educadores, porque deve haver filas de meninas e meninos? Quem disse que o rosa é de menina e o azul de menino? Será que se um menino usar rosa será homossexual quando crescer? Uma cor não tem tanto poder a ponto de mudar a identidade sexual de uma pessoa.
Até que ponto podemos permitir que esses discursos caminhem lado a lado de nossa prática em sala de aula? Ou até que ponto esses discursos podem interferir ou não no currículo escolar?